sábado, 6 de agosto de 2011

Razão x Emoção.

   "E os teus desejos ferventes vão batendo as asas na irrealidade. O que tu chamas de paixão, é tão somente curiosidade."


   Com essa frase do grande Manuel Bandeira é que inicio esse post. "Poemeto Irônico" foi escrito para as mulheres. Ele expõe bem os desejos e anseios femininos: todos eles desesperados. Não é uma crítica, pelo contrário, mas é a característica das mulheres: serem emotivas. Percebo que muitas são tão emotivas que não conseguem perceber que a solução não é chorar, e sim outro verbo mais útil: resolver.
   
   Por favor, meninas, vejam o poder que vocês tem. São belas, e são únicas!


   Um poema de meu.


   MULHERES
Partiram-se os véus do céu
Caíram aqui mil anjos maus.
Há algo mais doce que o mel
E bem mais pagão que um Baal.

O imã sedutor de bons
Homens bem são inocentes
Deixam-se levar ao som
De disfarçadas serpentes.

Onde nem anjos se afirmam
Pelo doce que não é.
Todos os outros confirmam:
Tão sedutora é a mulher!
Desencaminham na terra
Desencaminham no céu
Salvo, nenhum lugar é
Da vista duma mulher.












Fiquem com Deus.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A TV está velha demais.

   "É que a televisão me deixou burro, muito burro demais."





  
   "Passa canal, volta canal - não há nada bom para assistir." Foi com essa pura falta do que fazer que percebi algumas coisas com relação a televisão. Percebi que alguns canais estão mais competitivos do que eram a algum tempo atrás, e alguns que quase chegavam ao monopólio hoje competem com a Rede Vida um dos postos baixos na audiência. Também reparei que alguns dos programas que eu gosto estavam me cansando, e exatamente por algo claro: está tudo repetitivo demais.
   Elaborei esse post para refletir como os canais brasileiros estão deixando a desejar e perdendo audiência simplesmente por tradições. Tudo para, sem querer, chegarmos a uma conclusão óbvia: não perca tempo assistindo TV. Analise comigo.

   Imitações e tortadas na cara.



   Lembro-me que, quando eu era pequeno, ou seja, nos anos 90, pelo menos para mim, foi novo a aparição de um tipo de imitação que agradava tanto a pequenos como os vovôs. Consistia em um "humorista" que imitava diferentes artistas de uma forma muito dinâmica. Foi essa modalidade de humor que consagrou grandes como Tom Cavalcante, Ceará (do pânico), Alexandre Porpetone, Fernando Ângelo, entre outros. Ou seja, eles colocavam uma peruca, faziam uma imitação barata que era sempre dos mesmos artistas como Maria Bethânia, Caetano Veloso, Silvio Santos, Faustão, e nos faziam dar risada. Sim, FAZIAM, quando era uma coisa NOVA.
   Notei o quanto isso está manjado, quando assisti ao programa Tudo É Possível, e foi feito um concurso para ver qual era o melhor imitador nessa modalidade. Nunca vi algo tão chato como aquilo! "Não poderia ser menos vindo de um domingo." Tudo bem que isso já faz sucesso e já até foi bom, mas hoje está manjado demais, ninguém ri e são imitações ruins. Qual é a graça de ver alguém imitando o Silvio Santos, o Ronaldo, o  Caetano Veloso...

   Como de prache, caminhando pelos canais da TV, vi um programa de competição, um jogo de perguntas e respostas. Uau, amo isso. Só tinha algo meio "velho": por que precisa dar tortada na cara? D:
   Eu chegava em casa todo dia do parquinho correndo para assisti Passa ou Repassa com o Celso Portiolli. Naquela época já era velho, mas ainda era legal. Também, no Passa ou Repassa não tinha só esse jogo, haviam vários outros, toda uma pressão da torcida... E vi nesse programa que não havia nada disso. Era somente perguntas e respostas, onde não se tinha torcido, mais nenhum jogo, e no fim não ganhava nada. XI, O... TA ERRADO ISSO AI, MANOOOOOO D: É o tipo de programa onde não se tem o que apresentar, onde os apresentadores não sabem o que fazem e onde o canal era realmente perdido. To ficando bravo já.

   Chamado "Tapa Buraco" + preciso para cumprir contrato.

   

   Eu, como espectador, senti o seguinte: parece que o SBT vendeu o Ídolos pra Record (Record mesmo, néah?) e ficou com os 4 bocós dos jurados para cumprir contrato. E ai, Sr. Silvio Santos?

"Oe, é, hm, é, poem eles para fazer PROGRAMA DE JURADOS, OOOOEEEEE!!!!!"


   Foi mais ou menos isso o que eu entendi.

   Além da "bósnia" que o SBT fez, não é esse todo o pior, o problema é por ser um programa de jurados, entendeu? Tipo assim: sabe fazer algo legal ou, principalmente, algo chato? Vai pra lá!
   Como que um programa com estrutura e tema tão velho consegue estar até hoje em horário competitivo quando a Globo está passando um jornal de nível internacional?! Meu Deus do céu, será que o errado sou eu!? (To surtando já)
   Os caras trabalham com MÚSICA, e colocaram eles para julgar TUDO. No maior estilo Perdidos na Noite, Show de Calouros (isso foi apresentado pelo Silvio Santos no fim dos anos 70, o que deu origem a esse tipo de programa)...!!
   Notem que o problema não é ser velho, e sim ser chato por SER velho. Muito, muito manjado e sem conteúdo nenhum; é o tipo de programa vazio - esse e os que seguem esse estilo até hoje.

   Falando sobre Silvio Santos.

   Lembro-me também que, quando pequeno, o SBT era o maior concorrente com a Globo. Eu mesmo odiava a Globo e amava o SBT. Apesar de sempre ter a grade de apresentações não muito fixa e passar filmes meio antigos, o SBT agradava, não só a mim, mas uma grande parcela da população brasileira.
   Naquela época, eram os anos 90/00. Tudo bem ter uns estilos de programa com traços do que foram feitos pelo SBT nos anos 80 talvez. Legal, beleza. O problema é que continua assim até agora. (morri já)

   Devido a grade de atrações não ter agora fixação NENHUMA e os programas serem chatos demais e os filmes serem todos do Silvestre Stallone e do Steven Seagal, mais ninguém, pelo menos da minha idade, no mínimo COMENTA a respeito do SBT.
   Estive eu assistindo um pedaço do programa do Silvio Santos. Todo o programa é realmente baseado no que ele já fez quando aquilo foi o máximo da televisão em épocas passadas. Hoje, no mesmo horário desse programa, há o moderno e atualizado Fantástico, o Pânico, o Domingo Espetacular, entre outros. O Silvio Santos deve comandar todo o SBT, e aquela emissora está tão velha, que foi rebaixada a níveis incríveis de rendimento. Com jogos antigos e brincadeiras que geralmente se fazem em circo, o Silvio quer levar a emissora toda. Ele construiu um império que esta ajudando a tombar. Lamento.

   Até eu to improvisando.

   

   Me perdoem se eu estiver errado, mas foi o primeiro que eu vi. Os Barbixas trouxeram para o Brasil um tipo de humor que até então era desconhecido aqui: o improviso. Lembro-me que não perdia um programa do Quinta Categoria, depois descobri que eles já faziam esse estilo de humor havia tempo. Hoje, todos conhecem os jogos como Troca, Frases, Perguntas, Abecedário, entre outros. Até onde eu sei, porque, repito, foram eles os primeiros que eu vi fazer, foram eles que trouxeram e executaram tudo muito bem pela primeira vez, e por isso, foram chamados para trabalhar na televisão. Foi muito bom, e, ao mesmo tempo, foi uma desgraça. Depois da saída deles da MTV, onde eles divulgaram bem seu trabalho, todo mundo começou a improvisar. Se fosse bom, esse não era o problema, o problema é SABER FAZER.
   Hoje, há diversos grupos que fazem improviso, só que não é bom mesmo. E nem se fosse, já está enjoando mesmo.

   Conclusão.

   Se hoje a Rede Globo, a Record e a Rede TV tem o monopólio da TV brasileira, não é de admirar, devido como as outras emissoras fazem o máximo para manter-se conservadoras, enquanto a tecnologia e as ideias são outras em já outros tempos. Ainda assim, há programas nas três emissoras que tem esses traços, mas, pela falta de qualidade, são as melhores.

   Sabe o que você pode fazer ao invés de assistir TV? Leia um livro ou tente aprender a tocar um instrumento novo. É o jeito. De coração


   Fique com Deus.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Quem conta um conto, aumenta um ponto / Eles.

   "Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma."

 Eu sabia que estava esquecendo algo por esses dias. Acontece que esqueci de mandar meu conto para o concurso que o Jornal Cruzeiro do Sul está fazendo. Consiste nos leitores enviarem algum conto próprio que jamais tenha sido publicado, até mesmo em páginas da Internet, onde os 20 melhores (se não me engano é esse o número) seriam escolhidos para a produção de um livro com esses. O prazo de entrega ia até dia 5 desse mês, portanto, perdi.
   Agora que não há mais porque eu esconder, o colocarei aqui. 

   Talvez tenha sido por isso mesmo que esqueci de enviar :P

   De praxe, é um romance. Espero que gostem. Obrigado.

                                                                 Eles

Eles cresceram juntos. Desde criança moravam perto, mas não foi apenas isso o que os tornou próximos demais. Ele tinha 7 anos quando a conheceu, não a admirando mais do que por ter uma nova amiga. Eram vizinhos de muro, mas logo se tornariam residentes no mesmo amor.
O tempo passou e a adolescência aflorou os sentidos de homem e mulher. Tornando-se grandes amigos, aos 12 anos ele não a mais via como uma simples amiga, afinal, Ela estava se tornando linda, de cabelos loiros e novos como a alva que vem toda manhã e de pele branca como a neve que Ele só via em pensamentos. Infelizmente, assim como a neve, ele só a admirava melhor nos sonhos incompletos, porque nunca conseguiu ser mais que seu amigo.
A Rua Constantinopla, de uma cidade onde nem os grandes mais sabem onde fica, foi palco de um dos maiores amores adolescente já visto em toda a história. Os nomes não se sabem, mas Ele e Ela foram amigos, que muito quiseram ser amantes, mas foram apenas amigos.
Ele também não passou despercebido aos olhos dela. Ele havia se tornado um rapaz bonito. Ficou alto, magro e elegante. O terno bem alinhado e a barba rala deram um charme ainda maior quando completou 18 anos. As meninas da cidade suspiravam por Ele, que galanteava com prazer, mas nunca deu amor a nenhuma das raparigas de lá. Apesar do charme empregado mesmo para o galanteio, não era para elas, e sim para Ela, que parecia gostar, mas nunca explicitar. Mesmo assim, eles andaram de mãos dadas muitas vezes, mesmo Ela dizendo que não era nada mais que amizade e que Ele era nada mais que um irmão de coração.
Eles se encontravam todos os dias, às vezes na casa dele, mas principalmente na dela. Iam para o sótão, pois era um lugar tranquilo e quieto e conversavam por horas e horas. Ela estava cada vez mais bonita, cada vez mais mulher, e Ele cada vez mais famoso entre as rodas das meninas da cidade. Numa de suas conversas, Ela disse com o desdém do ciúme: “Você está famoso. Realmente se tornou um rapaz bonito. Por que não namora alguma das nossas amigas? A Flávia, a Cláudia, a Heloisa... Todas querem fazer carinho nesse cabelo lambido.” Sem muita demora, ele derramou seu coração: “Meu amor não é de todas, somente da mulher que me faz sentir homem”. Com a cara cada vez mais fechada, Ela retornou: “Quem?” Sem pressa ele disse: “Aquela que me provoca, que sabe que eu a amo, que me chama de irmão, mas me dá a mão como se fossemos namorados.” Ele saiu logo após a fala.
Saiu por algumas horas. Voltou no dia seguinte. Encontrou-a rindo como nunca havia visto antes. Nunca a havia visto tão adornada como aquele dia. Parecia que ia para a festa de aniversário do Coronel. Surpreso, Ele perguntou: “Porque tamanha arrumação?” Ela disse com um sorriso da alva: “Porque hoje é o dia mais feliz da minha vida.” “Por quê?”, insistiu ele. “Porque me tornei mulher, porque um homem me ama”, disse ela correndo para seu quarto. Ele foi embora.
Depois desse dia as coisas mudaram. Fizeram promessas de amor, logo, de loucos, mas nunca afirmaram o compromisso que tanto desejavam. Ela nunca foi dele, e Ele nunca foi dela. Andavam sempre juntos, encantando o mundo à sua volta, com o amor que contagiava até as flores murchas, até as velhas senhoras que nem mais se lembravam dos falecidos maridos.
O amor foi crescendo cada vez mais. Os pais deles e a mãe dela gostavam daquilo que parecia ser um futuro casamento. As duas famílias viviam sempre juntas. Não seria de admirar que aquela amizade tão próxima se tornasse mesmo num casamento bem sucedido. Contudo, o pai dela, dono de uma fábrica de chapéus, estava quase falido. Afundado em papéis de dívidas, ele também se afundava nas lágrimas. A saída parecia ser única: juntar-se com outro empresário mais sucedido, na parceria que salvaria sua vida, nem que destruísse a de alguém. Foi mesmo o que aconteceu.
Numa manhã de domingo, o pai maldito e a filha foram até a casa do que alguns contam ser Bento Arfazam, um rico e bem sucedido empresário da época. Era dono de uma fábrica de sapatos que queria expandir seus negócios. Ele tinha um filho, que não se lembram o nome, mas, mesmo com o nome esquecido, lembra-se do crime cometido por pai e filho.
A oferta foi irrecusável, a junção – triste. O pai dela ofereceu-a como para noiva o filho de Bento. Irrevogavelmente, estava feito. A aliança de ouro nos negócios feita e a aliança de prata nos dedos dela eram as algemas de uma alma aflita.
Ele ficou surpreso quando recebeu a notícia. Seu chão havia sumido. Chorou por noites sem cessar. Seus olhos verdes tornaram-se cinzas, sua veste perdeu a cor, seu cabelo recebeu os ventos do desalento profundo e ficaram bagunçados como ninho dos pássaros que não mais cantavam na cidade. Ele foi reduzido a um torso, mesmo com membros literais, mas depois do que havia perdido, só lhe sobrara o peito que era tristeza total.
Os anos passaram. Ela se mudou para longe da Rua Constantinopla e da cidade que muitos não lembram. Fora morar numa mansão a quilômetros de distância dali. Fora mulher triste, porque residia no mesmo amor findado do amado exilado. Choraram mutuamente na distância que chegava a ser, algumas vezes, confortante para os olhos apaixonados de um amor que não se podia consolidar.
Cartas foram o que sobraram. Ele e Ela correspondiam-se. Ela pedia para esquecê-la, pois seria melhor para ambos. Mandava-o casar-se, vadiar, ir para a boemia. Ele não foi. Estranhamente, sua esperança reanimou. Ele achou que podia reverter a situação. Nada a prendia totalmente ao marido; nenhum compromisso a não ser o título de mulher de um homem que não amava, por estarem juntos por uma aliança egoísta que já estava feita, que estava consolidada, que havia mostrado resultado.
Ele penteou seus cabelos como antes, como há muito muitos não viam. Vestiu seu terno verde como seus olhos que não mais eram. A cartola foi à perfeição! A viagem era longa, os perigos seriam muitos, portanto, fez uma mala grande com tudo o que seria necessário e carregou seu revólver para caso de precisar. Beijou sua mãe e despediu-se. Pegou o trem na estação que costumava brincar com Ela quando criança, e partiu rumo ao endereço que vinha nas cartas enviadas pela amada impossível.
Chegou ao local alguns dias depois. A mansão era isolada. Não havia casas ao redor, nem uma cidade acolhedora. Era uma fazenda gigante, um latifúndio. Ficou abismado ao ver que ao fundo, no quintal macro, uma festa corria de felicidades mil. Ele adentrou o local com o peito estufado de homem destemido que era, pois não perderia nada, já haviam lhe tomado mesmo tudo.
Ficando hirto no espaço ocupado, fitou-a com os olhos que, de cinza, aos poucos foram retomando a cor da esperança que só ele tinha. Ela continuava linda. Na verdade, estava mais linda do que nunca: sorridente ainda como uma menina, mas já com corpo e feições de mulher completa. A saia rodada até o chão, branca com listras rosas era como se nem coubessem nos moldes humanos de beleza, devido a deusa que vestia-a. Apesar do sofrimento que havia passado anos atrás, Ela parecia estar feliz. Ria e conversava com os convidados de uma maneira como se uma dádiva houvesse lhe caído dos céus. Mas Ela parou no momento em que viu o amor que há tempos que não via.
Sem acreditar e de passos curtos, devido à paralisia momentânea dos membros do corpo diante de tamanha surpresa, ela caminhou em direção do seu antigo baluarte perfeito. “Como... Como pode...” Gaguejou Ela. “Não digas nada, mulher.” “Por que vieste até aqui?” Perguntou ela estupefata. “Para tomar de volta o que me arrancaram e levaram junto com meu coração e alma”, respondeu o exilado.
Eles correram para dentro da casa. Conversaram a respeito da loucura que Ele estava fazendo. Ele fez questão de contar toda a esperança resgatada de onde nem sabia exatamente. Contou de seus prantos, da amargura que a vida havia se tornado, das dores do peito triste, da falta de vida que a vida lhe proporcionara. Eles choraram, mas não podiam sequer se tocar, pois, a qualquer momento, alguém poderia adentrar a mansão. Ela também fez confissões como Ele nunca havia ouvido antes. “Minha viagem não foi em vão. Vou tirá-la daqui”, ludibriou-se.
Mas a notícia veio como mil facadas no peito que havia resgatado há pouco. “Tenho um filho de um ano. Não posso ir com você. Sou casada, sou mãe, sou mulher! Por mais que eu queira, o compromisso é das dores que assumi, da minha imagem e da minha moral!”
Então, definitivamente, Ele tornou-se inteiro cinza. Chorou lágrimas únicas que por dentro eram muitas. “Perdão por vir”, disse soluçando. “Posso ver o filho de seu?” “Claro” Ela respondeu.
Adentrou um quarto lindo, todo azul. Os brinquedos eram muitos: os mimos da criança culpada pela não possível volta de um amor trágico. O menino no berço era lindo. Loiro como nunca alguém vira antes. Assim como possuía a pele da mesma cor branca de sua mãe, seus cabelos também o eram - os cabelos que Ele havia afagado poucas vezes. Eram esses os mais invejados mimos do garoto que não tinha culpa alguma da culpa que tinha.
“Pegarei um copo d’água. Volto já”, disse Ela secando suas lágrimas. Ele, sem dizer nada, fechou e trancou a porta após a saída da mulher. Fitou com ódio o garoto que dormia como anjo nas nuvens. Não era mesmo mais que um anjo. Um anjo com culpa pesada; pesada, assim com as palavras proferidas ao garoto que não ouvia nada, a não serem os sonhos que se sonha um protótipo:
“Sabes tu o que me tiras agora, garoto? Tempo e esperança, pois vim de longe, nem que a distância seja de menos, mas tiras-me a mulher que nunca foi minha e que muito desejei. Tiras-me o sorriso, a beleza, o encanto de menino que tinha. Tiras-me o sorriso, a beleza e o encanto da mulher que escolhi desde menino para ser comigo o que não consigo ser por mim. Tiras-me tudo: a vida, o sorriso, a esperança, o peito, felicidade, harmonia, o eu que não é mais nada e o eu que nunca fui! És culpado pela culpa que nem sabes que tem parte, por tudo que és! Não há mais motivo para a vida. Se há um verdadeiro culpado, cortarei o mau pela raiz”, disse ele sacando a arma do cinto de couro. “Terminarei com a vida do culpado, sim, do verdadeiro, que não és tu, somente eu, por não ter consolidado o amor por que vivi; por ser quem sou.”
Ele caiu morto com seu suicídio. O culpado verdadeiro fora levado. Ele mesmo não perdeu nada, estava morto havia muito tempo.

   Essa é a história de Ele e Ela, que muitos contam com dor no coração. Mas minha dor é especial, por ter dado Ela como pretexto egoísta para os negócios que tive. E agora, não me sobra muito, senão o tudo, que como sempre, já me é nada.





   Fiquem com Deus.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

O Beco.

"A suspeita sempre persegue a consciência culpada; o ladrão vê em cada sombra um policial." 



 Os homens ostentam poder, estadeam glórias a eles mesmos e se intitulam deuses. Até que vem o beco. Nenhum homem é ele mesmo ao passar pelo beco. Os homens tremem de medo, de seus antigos medos, ao passar pelo beco. Com medo dos que calaram há muito, quando o poder só era exato quando havia luz. Mas se realmente fosse exato, seria existente também no escuro. No beco, só há os medos, onde os homens mostram que são nada mais que ludibriadores de si mesmos.

O BECO

Os becos são mais escuros
Quando o sério transeunte
Em passos fortes e curtos
Com medo dos tantos furtos
Passa simulando essência
Brincando com a sua sombra
Vertendo medo em alusão
Do nada que sempre foi
À busca vã do que foi
Procurando lá a razão.

Ludibriando-se por horas
Para o momento na noite
Repudiada e esperada
Em que a mente não controla
E que a alma tanto chora:
Tamanha intimidação!
E que na mente do homem
São restos daquele gole
Que eram simples perdão
Das sombras que tanto somem.

Bem riem vastos os ratos
Do homem a sua pequines.
Por fazerem suas diabruras
Com os homens maus da rua
Correndo ébrios por sua vez.
Depois, os mesmos se fartam
Descobrindo seu valor
Vendo o trépido pavor
Dos homens que tem poder
E no beco nada, só temor.




Fique com Deus.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Não mais que uma vista / Lord Alegre.

   "Carpe Diem!"

 HOJE! Um dia tão normal quanto qualquer outro. O que eu poderia esperar? Mas, além de ser recompensado por ter trabalhado na obra que amo, fui recompensado com uma vista linda como essa.


 
   Com certeza você deve estar se perguntando o que há de tão especial nessa fotografia. A criação vista na tela reciclável de um computador não pode ter o real impacto como de quando vista pessoalmente, na graça de ver e sentir.


   Quando tive o privilégio dessa vista, o sol estava absurdamente gostoso, e não fornecendo mais calor que o necessário; apesar da culpa não ser dele se hoje fritamos ao meio-dia. Mas ele iluminava com a graça das primeiras eras, como se mostrasse-me algo que estava na palma de suas mãos.


   Na mão da luminescência. Vi de cima de uma casa uma rua brasileira como qualquer outra. Mas esse verde estava lindamente verde, aquela casinha de boneca brilhava com esmero que as casas em volta não tinham, e, ao lado onde a câmera não fotografou, estava a perfeição!...

   "Eles nascem com a graça." Uma escola pré-primária! Eu vi, sim, eu vi crianças brincando com sorrisos largos e transcendentes! Corriam e brincavam como se o mundo fosse nuvem; e, realmente, para elas são apenas as nuvens, o sol e o verde da grama. 


   Quando parece que o tudo foi descoberto e não há graça em viver devido ao cinza da cidade, devemos agir como as crianças.


   "Os mansos herdarão a terra, e deveras se deleitarão na abundância de paz."


   Que me corrija o que vem do céu.




   Um poema de meu.

   LORD ALEGRE



 O trépido andarilho
Que roda em rodas tontas
Anda atrás do martírio
Que planta em seu caminho
Sofrimentos que afronta.

Nas praças de vias gélidas
Dança qual nobre que é
Dança nobre que anela
Deixado foi por ela
Nem a música o quer.

Pelo riso dos tristes
O olhar dos desatentos
Dançava pra que o vissem
Pra que os nobres sentissem
Tal  amor do poeirento.

Fez florir tantos risos
Surgir flores nas pedras
No total improviso
Mas na intenção conciso
Contra o mal que se encerra.

Servido foi há muito
Resolvendo servir
Logo deixou seu tudo
Esqueceu-se do mundo
E os outros fez sorrir.

Sua fama espantou muitos
Que vieram amor pegar
Pois o mundo não o é
A qualquer um que quer
Um amor assim ganhar.

O além ouviu seu riso
E veio amor buscar
O Lord disse: disso,
Não muito mais que isso,
Jamais irei negar.

A morte o contatou
Veio seu prêmio ver
O velho então girou
Da morte se agradou
Por ele assim querer.

Correu tão bobo o Lord
Tão feliz que nem viu
Movido pela a sorte
Agradecendo a morte
Que servido, a serviu.


   Fique com Deus.









   

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Meus personagens.

   "O poeta é um fingidor".

   Por escrever tantos tipos de textos, tenho uma coleção de diversas personagens. Nunca fiz um em vão. Todos eles, sempre, tem um pouco de mim. Uso-os para fazer coisas que nunca pude. Crio histórias que não vivi, aventuras que nunca hei de viver, lugares que nunca vi, corpos que são o que não hei de ser.
   Esta é a beleza de escrever: ser tudo. Mas, olhando mais a fundo, teoricamente, sou ainda o mesmo. Fadado ao mesmo corpo, vida... Mas, sabe... Ainda bem. Viver intensamente foi algo para o qual não fui feito, afinal, quanto mais ócio tiver, mais hei de querer.
   Então por que escrevo? Não muito mais por passatempo :D
   Por mais que eu grite, o silêncio é sempre maior, e ainda serei eu. Não tenho escapatória, é um ciclo vicioso.
   Talvez ai esteja a resposta. Sou humano limitado, portanto, durante meu ócio, ao invés de fazer, deixo que os personagens corram por mim. xD


   Nunca escrevi algo com tamanha falta de sentido. HAHAHAHAHAHA

   Ainda assim, por isso que as histórias me encantam, pois é tudo o que queremos ser e não podemos. Por favor, escrevam mais delas, quero lê-las. ;]

   Um poema de meu.

MEUS PERSONAGENS

Visão que fere a alma, encho um avatar.
Na ferida do eu, continuo vazio.
Entrego-me ao que não sou para olhar
O ponto de vista de um corpo frio.

Fujo do que me faz; o que é tangível
Corro p’ro alívio que outro corpo traz.
Vejo o que pensa esse empréstimo amigo.
Refúgio do meu mundo que é incapaz.

Mas qual é o bem que um outro corpo faz
Se eu o penso, escrevo, torço, logo, crio?
Não é essa a perfeição, nem tão muito, e aliás
Nenhum consolo outro corpo nos faz
Se quem o cria é um outro corpo frio.



   Fique com Deus.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Aos jovens e futuros enamorados / Da Elisa.

   "Ainda que eu falasse a língua dos homens e falasse a língua dos anjos, sem amor eu nada seria."



   Muitos vêm me perguntar, devido minha experiência de dois anos: "Biro, quando devo começar a namorar?", "Biro, é viável eu namorar com ele (a)."
   A cara de ânsia que faço de imediato não é por eu ser chato (apesar de ser), mas é porque sei o que é namorar, e sei que, na nossa idade, namorar é para poucos, inclusive para quem sempre me questiona a respeito disso, é incrível! Essa expressão que faço, não é por não gostar do assunto, mas é para ver se a pessoa desanima já no começo da pergunta sobre a ideia MALUCA de namorar agora, em plena adolescência.
   Namorar é bom, mas farei questão de explicar o por que é para poucos da nossa idade.

   A respeito do casamento, o próprio apóstolo Paulo escreveu: "Digo, porém, aos não casados e às viúvas, que é bom que permaneçam assim como eu (solteiro). Mas, se não tiverem autodomínio, casem-se, pois é melhor casar-se do que estar inflamado [de paixão]." (1 Coríntios 7:8,9 - Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas) Claro que eu não sei a respeito do casamento, ainda não chegou a hora e ainda vai demorar, mas sei a respeito do namoro. Quase que usando as mesmas palavras do apóstolo Paulo, vos digo, filhinhos: Aqueles que estão solteiros e tiverem até 18 anos, é bom que continuem assim.

   "Por quê, Biro? 0=''. Bem, a maioria das pessoas que querem namorar, querem isso muito cedo. A adolescência é uma fase da qual ainda estamos descobrindo sobre nós mesmos. Essa é a fase da qual estamos, pela primeira vez, sentindo um gosto, por mais que pequeno, de ser adultos. Uma fase de conversas animadas, festas, fazer amigos... Além de tudo, é uma fase muito incerta, na qual estamos, frequentemente, trocando nossos pensamentos e ideias a respeito de tudo. Nessa fase, nossa moral, valores, personalidade (...) estão sendo criados, e tudo isso só é possível, principalmente, a partir das experiências citadas acima.

   Com um namoro, há um impasse. A partir do momento em que você está disposto a namorar, significa que você também está disposto à largar toda a parte de divertimento autonomo (não significa que por estar namorando não se pode sair ou fazer várias coisas, mas note...). É a hora em que tudo começa a dar errado no namoro.
 
   Nesse momento, já é possível ver porque é uma coisa de poucos. Muitos brasileirinhos nessa idade não entendem isso e querem viver como solteiros enquanto namoram. Não tem ainda a noção de que vivem também para os parceiros (as) e não mais por eles mesmos.

   Também, há diferença entre amor e paixão, e todos sabem como é. Paixão é totalmente visível no começo do relacionamento, afinal, é novo, mas não amor propriamente dito. Como amar se você mal conhece a pessoa? E realmente são casos de pessoas assim que vêm me indagar sobre as questões lá do começo do texto. Ou seja, defino tudo isso como ANSIEDADE ( = namorar sem conhecer a pessoa).

   O ponto é: passando a paixão, que é limitada, se não houver amor, não sobra nada. Nesse momento as divergências começam, e juro, não demora muito para isso ocorrer. Sem paixão (desejo inflamado, que PARECE eterno), sobra apenas uma pessoa normal que você tem que dar à ela satisfações do que fez e faz. Eu amo a minha namorada e não cheguei nesse ponto, mas acreditem, não deve ser bom, ah, não mesmo.

   Mas uma coisa é certa porque isso passei: passando paixão, sobra companheirismo. Depois dos arrepios, desejos e pensamentos inescrupulosos durante o conhecer de uma pessoa da qual nos atraiu, sobra a amizade, e esse é o coração de tudo.
   Tendo a amizade, seu amado (a), é mais do que um rosto bonito, e sim, uma pessoa que te socorre para tudo, da qual você tem prazer de viver junto, simplesmente por se darem bem, serem iguais, e claro SE AMAREM. O amor só pode vir de uma amizade, afinal, já ouvi muitas pessoas dizerem que amam mais um amigo do que um namorado. Por quê? Porque amigos se parecem, tem pensamentos em comum, se entendem, não se separam. Todos essas características deviam ser evidentes em todos os namoros. Não ocorre justamente por isso, por não haver a amizade, logo, o amor.

   Conclusão.

   Garotinhos e garotinhas, separem as coisas: simples beijos não significam que ocorreram eternamente com uma pessoa só. Não se precipitem. Estamos numa fase, como dito, muito instável, o que dificilmente nos possibilita viver com uma pessoa que é tão insegura quanto nós. Portanto, pensem e repensem sobre iniciar um namoro, pois, para sair de um sem que haja corações partidos, é impossível.

   Lembrem-se, paixão não é amor e nem é fácil de se amar uma pessoa para sempre pelo seu corpo e feições. E o principal, SEJAM AMIGOS antes de tudo, porque é algo que vejo faltar em muitos relacionamentos e é sempre essa a guilhotina dos mesmos. Sem companheirismo é impossível.

   Jamais, jamais mesmo comecem um namoro com o pensamento "vamos ver no que dá", porque, tragicamente, todos sabem "no que vai dar".
 
   Apesar de tudo dito, namorar de verdade nunca foi e jamais será ruim, e o seu está sendo, é porque não é de verdade, por isso mesmo você vai se identificar com tudo o que eu disse. Caso você não saiba exatamente do que eu esteja falando, fica a dica.

   Não tenham medo de namorar, apenas, pensem bem com quem e quando.

   Mas sempre amem!



   Da água para o vinho.


   Esse é um poema da minha amiga Elisa Amanda; uma poetisa que vem me surpreendendo a cada dia.

   Tenho música nos ouvidos
   Quando o silêncio é imperador.
   Mas o que será isso
   Senão o amor?


   Carrego nos olhos
   Um brilho dourado
   Sonho estar ao seu lado
   Por toda a vida.


   Sinto no ar perfume inexistente.
   Vejo teu rosto no nada. Sufoco.
   Suspiros, euforia latente.
   
   E agora meu sorriso
   É somente seu. Agradeço
   A Deus o amor que me deu.






    Fique com Deus.

sábado, 30 de abril de 2011

E o casamento do príncipe? / Se.

   "Primeira vez que vi um príncipe se casar sem ser em um filme da Disney."

   Na manhã (para nós no Brasil) de 29 de abril, o mundo parou para ver o casamento entre o príncipe William e a nascida plebeia Kate Middleton. 
   Achei tudo uma graça, nossa, coisa linda. Ouvi algo sobre isso há algum tempo, mas por não estar "antenado" nas notícias TERCIÁRIAS do mundo, devido ao tempo que não me pertence, neeeeeeeeeem imaginava que o casório aconteceria tão brevemente.
   Estava eu indo comprar paçocas na cantina da escola, quando percebi a transmissão ao vivo na TV. Achei tudo muito brega na verdade. Não gostei da roupa dos noivos, do padre, da roupa amarela da tiazinha que aparecia toda hora; de nada! Mas algo me chamou muita atenção...

   Em meio ao luxo, o lixo. Para assistir a cerimônia, milhares de populares se aglomeraram no lado de fora do palácio de Buckingham, formando, verdadeiramente, um mar de gente.
   Após à cerimônia, ouvi muitos brasileirinhos falarem: "Nossa, que perda de tempo dessa gente."; "Bando de otários, não tem mais nada o que fazer."; "Nossa, não ligo nem a TV para ver isso e esses vão até lá."; "E AINDA PINTAM O ROSTO?"...
   A fúria subiu à minha cabeça em questão de milésimos de segundo. Por quê? Simples. Quem vai dormir tarde para assistir reality show está com moral para falar algo sobre? Quem pinta o rosto para assistir jogo de futebol com as cores de time tem moral para falar algo sobre? Quem só é brasileiro quando é época de Copa tem moral para falar algo sobre? Quem torce para alguém morrer em nome da nação só para ter feriado tem moral para falar algo sobre? 

   Se fosse aqui, não seria feriado só no dia em que o evento aconteceu, e sim, durante a semana toda.

   Brasil.... Não enche! (Troquei o verbo para não ficar feio)


   Um poema meu.

   SE

    Algumas noites são de arder.
   Como se comesse espinhos.
   Como se mais por obrigação,
   Do que realmente por prazer.

   Engulo como se pedra
   Garantisse meu sustento;
   Sustento para quem se erra
   Para viver-se de lamento.

   Lamento viver.
   De verdade quase nada
   Há de bom se me haver.

   Logo engulo para temer
   De se parar na garganta
   O que não quero p'ra comer.



   Fique com Deus.




terça-feira, 19 de abril de 2011

A lua é de praxe.

  Enquanto não termino alguns esboços que quero lançar a vós, continuarei a postar meus poemas.

  Todo poeta que se preza faz um poema sobre a lua. Como o assunto é vasto sobre esse astro adjacente, melhor seria de versos-livres, onde pode-se discorrer com calma e sem preocupação. Quiz fazer isso, mas quando vi, estava metrificado.
   Neste poema, o eu-lírico dialóga com a lua como se ela risse de sua desgraça. Realmente, quem nunca conversou ou pensou em conversar com essa atriz dos céus escuros que todos nossos pesos vê? É um crédito à demência.

   INVEJOSA LUA

Porque tu ainda insistes,
Satélite em rotas prévias
Que rondas em mesas ébrias
Ver-me assim tão triste?

Encara-me ao ponto
Esfrias-me na minha espinha
Duma covardia não minha
Diante de tal afronto.

Eu caído em tristeza
Tu caídas em felicidade
Ris e conta a toda cidade
Sobre a humana natureza.

Quantos já ouvistes
Relatos de sofrimento
Tantos outros de desalentos
Que apaixonados homens lhe contaram.

E ris assim tão seca
Dos desiludidos feitos
De homens que em seu forte peito
Outrora certo amor carregaram.

Boêmios apaixonados
De esperança sempre viva
Revivendo a triste vida
Procurando aos lados
Para muitos humanos ver.
Diversidade tão imensa
Oportunidade intensa
Para seu amor reviver

E no céu é quase nada de sua natureza exótica.

E ris falsa para aliviar
A dor de também estar só
Nessa sua noite de luar


Fique com Deus.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Do Goethe/Do Biro.

"Rir é atormentar a tragédia interior que ama o silêncio."


"Sei que nada me é pertencente
Além do livre pensamento
Que da alma me quer brotar,
E cada amigável momento
Que um destino bem-querente
A fundo me deixa gozar. "

(Johann Wolfgang von Goethe, in "Canções".)


   Espero que essa frase tenha um sentido conotativo, mas confesso que fiquei em dúvida quando li. De qualquer forma, ainda é Goethe.


   Um poema de meu.



IDENTIDADE


Quem partiu, partiu sem dó.
Para trás deixou pedaços
De um Eu quase sem rastros
Feio, velho, sujo e só.

Partiu em busca da identidade
Muito secreta e pouco exata
Mui desconhecida e desejada
E muito longe da serenidade

Achou os passos do futuro
Nos erros do presente
Da imperfeição inerente
De um estado não seguro

Procurando o lugar mapeado
Encontrou terras que no papel não estavam
Descobertas que realmente lhe provaram
Que era realmente ser o esperado

Que era o que era.
Seu mundo fez-se guerra
Sua identidade desejada
Há tempos encontrada.

Não se pode ser o que não é.



Fique com Deus.

sábado, 9 de abril de 2011

Apenas um desabafo, apenas um pretexto.

"O Antonio Rolim não é um poeta fácil." (Alvarenga)

   Uso deste espaço para escrever o que me para em minha garganta, onde as palavras emitem os sons que jamais gritei.
   Portanto, e como sempre, estou irritado com as pessoas que não entendem as artes, o conhecimento, as filosofias...

  "Porque de minha poesia, só eu me orgulho. Pois a maioria está muito ocupada com as cenas do mundo irracional, onde o distorcido é concreto e o concreto é desconhecido. Porque as pessoas se empanturram de TV e ficam bitoladas pelos biscoitos. E se tudo é culpa da mídia, digo que não. A mídia mostra o que é para ser mostrado e as pessoas vêm o que não é para ser visto."

   Contemplar o silêncio e a solidão é um dom de poucos.
   Um poema meu:


   O SILÊNCIO


   Tem horas que para alívio
   Tem horas, que para dor
   É como confiar em inimigo
   Um não consolidável ator.


   A hora em que os poetas acordam
   Com o barulho da solidão
   Para falar da pobre desgraça
   Encravada no coração.
  
   Não desejo algo mais.
   Deveras esse mesmo já me é
   O esconderijo perfeito
   Para escrever o que no peito
   Se faz um sentimento qualquer.






   Fique com Deus

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O blog de R$ 1,3 milhão.

  
   "O mundo precisa de poesia." - E de comida também.

 Algo que me interessa muito vem criando debate no Brasil durante as últimas semanas: a criação de um blog intitulado "O Mundo Precisa de Poesia", que é apoiado pelo governo e terá como verba R$ 1,3 milhão.
   Uau! Com certeza esse blog será muito bom! E não duvido disso. Fica evidente desde sua apresentadora, no caso, a artista Maria Bethânia, que cantou e declamou poesias durante toda sua carreira. Mas esse rumor me causou uma revolta muito, muito grande mesmo. Por mais que eu ame poesia e queira as espalhar para o mundo, não aprovo tal projeto, e farei questão de dizer o porquê.

   Tenho falado sobre poesia às pessoas há muito tempo, e posso contar no dedo quantas gostam de tal arte. Muitos não gostam, mas não maldizem. Outros amam e as defendem, leem e até escrevem! - Mas são raros. E maioria (tendo em vista que ISSO É BRASIL) abomina. Seria então realmente necessária a verba de R$ 1,3 milhão para a criação da página? Tudo bem que, por dia, será lançado um vídeo de boa qualidade com a grande Maria Bethânia declamando poesias de renomados autores, mas, por mais que tenha tal alcance, já que é uma página de Web, não chegará nem será de uso de muitos brasileiros, pois a maioria não tem o costume de se entreter com poesia. Ou seja, é muito dinheiro para muita pouca gente.
  
   Enquanto mais um milhão é gasto de forma inútil pelo governo, o Brasil decai nas mãos de políticos que tanto prometem e nada fazem - ou melhor, fazem: do nosso dinheiro uma farra, ao invés de gastarem-o num âmbito GERAL.
   Não farei questão de dizer os problemas do Brasil, pois, quando mencionados, soam como clichês, já que sabemos, pois VIVEMOS toda a desgraça de ser brasileiro. Mas agora temos uma novidade: pagaremos impostos para virarem poesias jogadas ao vento. Que bonito! Que poético!

   "Batatinha quando nasce, se esparrama pelo chão,
    Brasileiro quando acorda, não tem batata nem feijão."

   Quem sabe ela não posta isso no blog dela. O meu site tem um ar de poesia e ele está aqui.

   Se o governo realmente quer tornar nosso povo mais culto, ou pelo menos mais "civilizado", já que os grandes eventos estão por vir (2014 e 2016) e apareceremos ao mundo, que comece desde baixo, investindo nas escolas, nas crianças, nos jovens, e não dando pérolas aos porcos. Se hoje o brasileiro não gosta de poesia, não é só porque não teve boas aulas de português, mas uma escola boa, aonde a educação vinha em primeiro lugar - coisa que não acontece mais nesse país.

   E de boa... Nunca gostei da Maria Bethânia, muito menos de seu irmão: Caetano Veloso; que muito empina o nariz sem méritos, quando deveria aprender com Chico Buarque, além de realmente fazer música, a ter a humildade desse, que sempre foi muito mais músico, poeta e artista. Caetano Veloso que tanto gosta de escarnecer o governo, agora, pelo blog ser de sua irmã, nada diz. Coitada da Dona Canô, que muito ainda terá de se explicar pelos erros do filho e da também não humilde filha.

   Quer saber? R$ 1,3 milhão nem é nada comparado ao quanto eles roubam.